UM POUCO DE HISTÓRIA SOBRE A MELIPONICULTURA EM MOSSORÓ
1. O início de minha atividade na meliponicultura se deu a partir de 1983 quando recebi das mãos do saudoso Mons. Huberto Bruening, o presente de uma colméia de jandaíra bem como os primeiros ensinamentos sobre o fantástico mundo das abelhas. Mons. Bruening foi um sacerdote catarinense que dedicou grande parte de sua vida à cidade de Mossoró com quem tive a felicidade de conviver uma quadra importante da minha vida. Foi pároco durante 48 anos e paralelamente às suas atividades na diocese de Mossoró, foi na região um pioneiro no estudo e na preservação da abelha jandaíra.
2. No início eu era funcionário do Banco do Nordeste e em função do pouco tempo para me dedicar às abelhas, restava somente os fins de semana para realizar o manejo que para mim era como ainda hoje é uma atividade muito prazerosa, servindo de lazer e terapia ocupacional.
3. Com o advento da minha aposentadoria, passei então a me dedicar com mais afinco ao trabalho, ampliando através de multiplicação de colônias a criação da jandaíra, distribuindo os meliponários também na zona rural, já que no começo a localização das estantes era somente no quintal de minha casa.
4. Tendo em vista o grande legado deixado pelo Mons. Huberto com relação ao estudo e a preservação da abelha sob comentário, a cidade de Mossoró passou a ser uma referência nacional quando se falava em meio ambiente, preservação, ecologia e principalmente jandaíra, tendo em decorrência havido uma cobertura muito grande por parte da imprensa escrita, falada e televisada sobre o meu trabalho na atividade já que modestamente dava continuidade à tarefa iniciada pelo eminente sacerdote.
5. Além de várias matérias em jornais e revistas de circulação local e estadual, a mídia foi além fronteiras escrevendo sobre meu ofício. Assim é que o eminente professor da Universidade da Flórida, Malcon T. Sanford, escreveu importante artigo no American Bee Journal Flórida (EEUU), edição da janeiro de 2005, descrevendo minha lida com a jandaíra, e a revista Vida Apícola de Barcelona (Espanha), publicou extensa reportagem em suas edições de números 126 e 127 de julho e setembro de 2004, sobre o mesmo assunto. Durante todo esse tempo, minha experiência com a jandaíra foi objeto de muitas reportagens, principalmente na parte televisiva (ver matérias no Site www.melmenezes.com.br), o que de certo modo contribuiu para o aumento de meliponicultores por todo o estado através da grande divulgação por intermédio desse importante veículo de comunicação de massa.
Paulo Menezes
BREVE HISTÓRICO SOBRE A EMPRESA MEL MENEZES
1.Conforme descrito acima, com o crescimento do
meliponário, a fim de que pudesse continuar a desenvolver a atividade passei então a comercializar o mel para com o produto da venda aumentar a criação. Face à procura acentuada do mel, foi então criada a empresa Mel Menezes Ltda., que vende além do mel, as próprias colméias enxameadas em caixas racionais nordestina.
2. Apesar de manejar a jandaíra há 28 anos, somente a partir de 2005 consegui ter o registro do mel junto à Secretaria de Agricultura e poder, a partir de então comercializar o nobre produto.
3. Confesso que a trajetória percorrida da decisão inicial de legalizar o mel até o seu registro, não foi tarefa das mais fáceis. Isto porque além da burocracia comum nos órgãos governamentais, havia também uma dificuldade concreta para a realização do intento, qual seja, a inexistência de legislação específica sobre a matéria.
4. O fato é que valeu a pena, pois além do objetivo alcançado, me sinto gratificado, por ter aberto uma porta para os demais criadores de meliponíneos, uma vez que conforme informação obtida à época, fui sabedor por ocasião do recebimento da certidão, (Rg. 001), que aquele registro era pioneiro para o mel de abelhas sem ferrão. Tudo que existia em termos de registro e legislação era relacionado com o mel das abelhas do gênero apis.
5. Como exigência para conseguir o documento, edifiquei uma casa de mel, nos mesmos parâmetros da exigência para apis já que não existia na lei um modelo para abelhas do tipo meliponas. Após inspeção do SEIPOA , nossa empresa viu coroado todo um trabalho culminando com o recebimento do certificado que viabilizou expor nas gôndolas dos supermercados, um produto raro, delicioso, além de conter propriedades medicinais.
6. Na busca permanente da excelência, no que se relaciona com a conservação do mel, e procurando afastar o problema da fermentação, um dos gargalos ainda existentes no processo de produção do mel de jandaíra, nossa empresa se habilitou ao edital da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAPERN) no programa de inovação tecnológica e do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e firmamos um convênio para a execução do projeto "Desenvolvimento de Metodologia de Desumidificação do Mel de Jandaíra", o que consideramos mais uma etapa vencida para consolidar o êxito na comercialização do nosso principal produto. Aludido projeto está foi desenvolvido por dois Doutores do Departamento de Química da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN).
7. No ano de 2009, Mel Menezes foi laureada com o primeiro lugar do Prêmio MPE Brasil de Competitividade, em nível estadual na categoria de Agronegócios, bem como teve o reconhecimento nacional em Brasília-DF., por ter se destacado no MPE Brasil 2009 - Prêmio de Competitividade Para Micro e Pequenas Empresas, da Rede de Cooperação Brasil, formada pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), Sebrae, Gerdau, Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) e Petrobrás.
8. A empresa tem naturalmente sua parte comercial mas se preocupa também com o meio ambiente, já que o homem vem destruindo ao longo do tempo a vegetação do semi-árido na busca desenfreada do lucro imediato.
9. Assim é que o titular é o coordenador de um projeto denominado "Projeto Padre Huberto - Preservação da Abelha Jandaíra". Consiste no treinamento teórico e prático para capacitação do manejo da abelha jandaíra. Direcionado para mulheres pobres em áreas de assentamentos rurais, tem como objetivo a preservação da abelha, a manutenção do ecossitema através da polinização e de levar para o campo uma atividade ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável, uma vez que agrega renda ao pequeno produtor rural, fixando-o no campo e evitando conseqüentemente o êxodo rural. Desenvolveu também com a “Associação Caatinga” treinamento idêntico ao “Projeto Padre Huberto”, implantando o projeto “Recuperação de áreas degradadas através de sistemas agroflorestais para o cultivo de mamona no município de Itatira no sertão do Canindé”. No momento administra no Ceará, o projeto “Abelhas Jandaíra em Icapuí”, um projeto que oferece bases de conhecimento para reintroduzir a jandaíra onde ela desapareceu por ações do homem. Contempla as comunidades de Córrego do Sal, Retiro Grande, Peroba Requeguela, bem como a Fazenda Belém onde foi instalado um meliponário para estudo e pesquisa das abelhas. Atua também em um projeto no município de Mossoró, para “Acompanhamento e Manutenção do Projeto Padre Huberto – Preservação da Abelha Jandaíra”.
Mossoró(RN)., 08 de novembro de 2011 – Paulo Menezes